A Barreira do Inglês: Parte 1

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Todas as pessoas que pensam em imigrar ou estudar no Canadá, em algum momento, precisarão comprovar sua proficiência no inglês ou no francês dependendo da província pra onde elas desejam ir. Quem me acompanha aqui no blog sabe que eu vim pro Canadá com um nível de inglês baixíssimo e que a ideia sempre foi que eu melhorasse meu inglês para fazer um curso depois que o Bruno terminasse o college dele.

Depois de muitos anos estudando em escolas de idiomas no Brasil, mas sem ter nenhum contato prático com a língua, me deparei com dificuldades de adaptação terríveis quando cheguei aqui. Me lembro que eu precisava do Bruno pra traduzir absolutamente tudo pra mim, inclusive no meio de conversas ou numa reunião com o banco por exemplo. As dificuldades foram ainda maiores quando eu precisei procurar emprego e enfrentar o mercado de trabalho canadense. Eu não entendia perguntas básicas de processos seletivos como: quais são seus pontos fracos e fortes? Porque eu deveria contratar você? Como você reagiria em situação x ou y com o cliente?. Quando eu entendia, não fazia ideia de como responder porque tudo estava na minha cabeça, óbviamente, em português.

É importante ressaltar que, nós viemos preparados financeiramente para que eu estudasse inglês aqui, mas como todo processo de aprendizagem, isso leva tempo e requer muita dedicação. Eu sabia que a forma de acelerar esse processo era aproveitar a chance de trabalhar enquanto eu estudava, já que eu vim pra cá com o visto de trabalho. Por isso, mesmo com todas as dificuldades, eu não deixava de participar dos processos seletivos que apareciam pra mim. Foram inúmeras as entrevistas das quais eu saí chorando e me sentindo humilhada por não ter conseguido desenrolar a conversa com o entrevistador, mas ao mesmo tempo eu estava aprendendo muitas lições importantes sobre como me posicionar, como vender meu peixe e como me preparar para os processos de seletivos de maneira mais efetiva. Foi sofrido. Foi desesperador, mas eu consegui e sou grata por tudo o que passei aqui.

Apenas para recapitular a história, quando eu cheguei no Canadá eu consegui um emprego como assistente administrativa num escritório de imigração para brasileiros. Após 2 meses trabalhando lá eu notei que meu inglês continuava estagnado e que se eu quisesse cumprir meu objetivo, teria que largar o emprego que eu tinha e teria que encarar o mercado de trabalho canadense. Assim, eu pedir pra deixar a vaga que eu ocupava e fui correr atrás do prejuízo de não ter dedicado mais tempo a isso no passado. A partir daquele momento, eu precisava conciliar as 6 horas de estudos diários numa escola de inglês e 8 horas de trabalho braçal. Sim, porque quando você não fala inglês é isso que você vai conseguir encontrar e com muito, muito sacríficio.

Durante o período em que eu estava estudando inglês, eu trabalhei em 2 empregos aqui em Vancouver. Em um deles eu era responsável por fazer saladas em um mercadinho localizado em Downtown. Como eu não falava o idioma, eles me colocaram num departamento que ficava no back, portanto, eu não tinha contato com nenhum cliente. Já o segundo emprego, era pra embalar presentes de natal na fábrica da Lush (uma grande empresa de cosméticos canadense). Considero que esta experiência foi a mais enriquecedora pra mim. Lá eu tinha contato direto com canadenses e passávamos o dia conversando e embalando presentes. Lembro que na minha primeira semana eu fiquei calada durante todos os dias. Eu não entendia nada do que eles falavam comigo, por isso, a única coisa que eu conseguia fazer era sorrir e dizer variações de yes como yeahhh ou yep. Era ridículo hhahahaha.

Com o passar do tempo, meus colegas perceberam que o problema era a minha falta de fluência em inglês e, muitos deles, me ajudavam na construção das frases e na correção dos meus erros enquanto eu falava. Os canadenses têm um jeito muito sútil de corrigir a gente e também se esforçam muito para nos entender e ajudar. Isso me faz reafirmar todos os dias a minha satisfação em ter escolhido o Canadá pra imigrar. Nunca me senti descriminada ou humilhada por não saber falar inglês ou por ser imigrante (todos os sentimentos ruins que eu tinha vinham da minha cabeça e da minha ansiedade em querer acabar logo com aquela fase). Mesmo assim, eu não me sentia satisfeita e continuei a investir pesado nos estudos.

Uma data marcante pra mim, durante esse processo de aprendizagem do idioma, ocorreu cerca de 1 mês e meio depois que eu já estava trabalhando na fábrica. Me lembro que estava muito frio e o Bruno foi me buscar já que eu saía do trabalho quase meia noite e já estávamos sob temperaturas negativas. Nesta oportunidade, demos carona pra uma colega tcheca que morava na rua de casa e fomos conversando durante todo o caminho sem parar de falar por um minuto. Quando chegamos em casa, Bruno virou pra mim e disse: De onde você tirou todo esse inglês? ahahahahaha. Ali a minha ficha caiu e me dei conta de que finalmente eu estava fluente. Dali pra frente os resultados foram mais significativos ainda. Eu estava no meu quarto mês de estudos e tinha conseguido saltar do nível básico para o primeiro nível do avançado.  Eu ainda tinha 2 meses de curso para cumprir e então comecei a me dedicar a desenvolver minhas habilidades de escrita e fala. Eu tinha uma preocupação imensa em construir a frase com a gramática correta, afinal de contas, eu não queria apenas ser fluente em inglês, eu estava em busca de um objetivo maior que era ter uma boa proficiência para enfrentar uma faculdade.

Continua….

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