Vale a pena deixar o Brasil pra morar no Canadá?

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Todo mundo que me acompanha nas redes sociais (só mais de 8 mil seguidores hehhee Chupa Mundo!), nos vídeos no youtube (atualmente apenas no canal da minha amiga Kitty) ou aqui no blog, em algum momento já se perguntou ou já me perguntou (essa é a campeã das perguntas que recebo por aqui) se eu realmente acredito que valeu a pena deixar tudo o que havíamos construído no Brasil, para vir arriscar viver aqui no Canadá. Seja pelas minhas polêmicas, pelas minhas caretas nos vídeos ou pela quantidade de contras que eu costumo apontar quando estamos discutindo algum ponto da vida aqui nas terras geladas, às vezes, posso passar a impressão de que tudo aqui é tão difícil que o trabalho todo de mudar talvez não valha tanto a pena assim. Sei lá, é só uma impressão que eu tenho, já que essas indagações sempre vêm à tona.

Quem já fez visto comigo, deve me odiar ou me amar ainda mais rs. Digo isso porque essas pessoas sim sabem o quanto eu sou chata, exigente e detalhista com os processos que faço e, isso não se resume apenas ao trabalho que desenvolvi aqui no Canadá, mas nos que faço em meu escritório de advocacia também e nos processos de admissão dos meus alunos. Eu sempre sou aquela que parte do princípio de que o Canadá não tem obrigação nenhuma de aprovar visto de ninguém. Não importa quanto dinheiro você tenha, quão bom você seja no que faz ou quão incrível seja o seu perfil. Eu não chamo ninguém pra vir à minha casa sem analisar muito bem o perfil da pessoa que estou trazendo para a minha zona de conforto, portanto, o Canadá não é obrigado gente. Durmamos nesse barulho.

Posto isso, é óbvio que as dificuldades da vida de imigrante são imensuráveis. Eu costumo dizer que mudar de país (e eu não estou falando daquela mudança que você faz quando seus pais bancam tudo pra você e te dão uma viagem de 1 ano de intercâmbio num lugar paradisíaco), quando já se tem uma carreira, laços, bens e possibilidade de crescimento na sua terra natal é, de longe, um dos maiores desafios da life de alguém. Sim! É como nascer de novo. É como aprender a engatinhar, andar, falar ou comer. É como voltar a ser auxiliar, porque nem pra ser estagirário você tem cunhão ainda, mas com a cobrança social, familiar e pessoal martelando o tempo inteiro na sua cabeça e te fazendo questionar a si mesmo acerca da decisão tomada.

Mas e pra mim? Pra Danielle chatona da internet que fica podando as asas de todo mundo? Pra destruidora do sonho canadense dos outros, valeu mesmo à pena?

Já ouvi muito essa, mas óh: bjo no ombro pra quem se faz de coitadinho e se deixa levar pela opinião de uma louca que resolveu montar um blog. Se seu sonho é vulnerável desse jeito amor, você não devia nem pensar em sair de casa, quanto mais se mudar pro Canadá!

Whatever…

Mas a resposta para a pergunta que não cala nunca é…. SIM gente! SIM, SIM, SIM, mil vezes SIM!

 

Bora pormenorizar os fatos gentche!

1. Viver em vez de sobreviver.

Há um ano e meio atrás, eu era uma pessoa neurótica que montava uma operação da SWAT pra conseguir entrar em casa, já que tinha medo de ser assaltada a todo momento (Paulistanos entenderão). Era mais uma escrava do trânsito de São Paulo que deixava de 3 a 5 horas por dia da minha sanidade mental nos congestionamentos infinitos que eu precisava percorrer por míseros 12km pra ir do trabalho pra casa. Eu era aquela que evitava sair de casa à noite e à pé por medo de algum maníaco me atacar, me assaltar ou querer me estuprar. Parece exagero?

Faça as contas aí:

3 tentativas de assalto enquanto estacionava o carro no trabalho ou na faculdade.

1 sequestro seguido de uma tentativa de estupro

3 invasões da nossa casa em 6 meses (em uma delas quase perdi meu cachorro)

1 assassinato presenciado dentro de um ônibus por causa de um celular

Se necessário for, dá pra escrever uns 10 posts contando as aventuras horrendas que vivemos por causa da violência em São Paulo. Melhor que isso! Acho que dá pra fazer um filme.

Lembro-me que duas coisas me aterrorizavam naquela época: motoboy colado no vidro do meu carro à noite em algum semáforo e ratos. A segunda ainda me apavora.

Essa parada de que a paz está dentro de você só pode ser coisa de praticante de yoga. É impossível viver tranquilo, quando ligamos a tv e vemos Marcelo Rezende ou José Luiz Datena narrando os últimos acontecimentos ao redor do país, né? Sejamos sinceros!

Por outro lado, sem considerar a sensação de segurança que temos no Canadá, e a inenarrável tranquilidade que isso traz pra gente, e o quanto isso nos dá a sensação de que podemos parar de tentar sobreviver a todo segundo pra poder respirar e seguir em frente, ainda tem todas as outras coisas que todos os dias me fazem agradecer à Deus pela força que ele nos deu e continua nos dando para reconstruirmos a nossa vida por aqui e ao meu maridón por ter topado embarcar nessa.

 

2. Poder de compra

Ao trabalhar aqui no Canadá, descobrimos que é possível um casal viver bem e confortavelmente, mesmo ganhando um salário mínimo ou pouco superior ao mínimo. Dá pra pagar o aluguel, o seguro saúde, uma parte da faculdade e até comer queijo brie, tomar bons vinhos e dar umas escapulidas de vez em quando pra conhecer outros lugares.

O custo de vida não é alto quando você ganha em dólar, mas quando ambos trabalham, dá pra viver uma vidinha bem mara se não for do tipo que compra tudo o que vê pela frente.

 

3. Senso de comunidade

Aqui, o senso de comunidade entre as pessoas é realmente muito forte. A todo momento você é convidado a participar de serviços comunitários e voluntários, além do fato de que os pais e os vizinhos têm uma participação ativa na educação das crianças. Dá pra perceber que a responsabilidade é compartilhada e que o povo não perde tempo colocando a culpa nos outros ou no governo. O povo aqui, trabalha lado a lado.

 

4. Crescimento profissional e pessoal

Essa é a parte que, pra mim, faz absolutamente tudo valer à pena.

Por causa da qualidade de vida e do poder de compra que adquirimos desde que nos mudamos pra cá, temos tido tempo de investir nos nossos estudos, de aprender novos idiomas, de aproveitar o tempo com os amigos, de empreender, de viajar e explorar mais os lugares lindos desse Canadá. Há 18 meses atrás, eu mal falava inglês e agora já estou fluente no idioma, já iniciei aulas de francês, já estou em processo seletivo para um mestrado em uma das 5 melhores universidades do país, já fui aceita por 2 dos melhores colleges do país também, já abri minha própria empresa (que só cresce graças a Deus), já estou em processo para a residência permanente e já diminui a minha lista de lugares que eu queria conhecer há tempos. Ufa! Parece que vivi décadas em um ano e meio e atribuo tudo isso ao fato de que agora não preciso mais me preocupar em ser assaltada à cada esquina ou se serei rica para conseguir ter uma vida minimamente digna ou pra conseguir dar educação de qualidade para os meus filhos, que provavelmente eu não veria crescer no Brasil, porque estaria trabalhando feito escrava. Agora, temos tempo pra viver. Temos paz. Temos tranquilidade pra calcular os passos que daremos e, por isso, e só por isso, eu não me arrependo um segundo sequer por ter deixado a vida que tínhamos no Brasil pra ter vindo recomeçar aqui no Canadá.

Amo esse país que me acolheu, valorizo muito o que temos feito aqui, sou grata por todos os desafios que vivemos e pelos que estão por vir. No que depender de mim, o Brasil ficará no mapa como um país incrível que vale muito a pena visitar e that’s it.

 

 

 

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