Como abri a minha empresa no Canadá – Parte 1

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Muitos seguidores do blog me perguntam sobre como foi o processo de abertura da minha própria empresa no Canadá. Portanto, decidi escrever alguns posts pra vocês sobre todas as etapas do processo que fiz para abrir a Goal Travel aqui e espero que isso possa ajudar a todos aqueles que, assim como eu, têm uma veia empreendedora que não sossega hehehe.

Apenas para que entendam um pouquinho sobre como a Goal Travel nasceu, desde que eu montei o blog em março de 2015, muitas pessoas começaram a me procurar pedindo que eu as ajudasse com o plano de estudos e de mudança para o Canadá. Durante certo período, eu auxiliava transmitindo as informações que eu sabia e nunca cobrei de ninguém para fazer isso. Com o passar do tempo e depois de adaptados à nova vida, comecei a conhecer pessoas relacionadas à àrea educacional aqui e aos poucos fui construindo o que atualmente é uma imensa rede de contatos e fui aprendendo sobre todo o mercado de serviços educacionais ao passo em que trabalhava na área de vistos e imigração.

Atualmente, somos uma empresa que atua em quase 10 países, com mais de 350 programas de estudos disponíveis ao redor do mundo e dezenas de parceiros que oferecem os mais variados serviços relacionados ao projeto de estudar, trabalhar e viver no exterior. Temos um escritório físico estabelecido em Vancouver e correspondentes em diversas cidades que nos auxiliam no funcionamento da empresa e na prestação de serviços aos nossos estudantes. Aos poucos e através de muito trabalho, vi minha empresa nascer, crescer e se estabelecer num país que nem era o meu, mas que me acolheu e me ofereceu todo o suporte necessário para empreender toda a minha energia no meu próprio negócio e tudo isso eu devo aos seguintes fatores:

1 – Uma ideia maluca impulsionada pela falta de burocracia, pelo estudo e dedicação em explorar o meu nicho de mercado.

Quem nunca ouviu ou leu sobre alguma história de empreendedorismo em que o idealizador do negócio começou a empresa de maneira inusitada ou com poucos recursos, certo?

Comigo não podia ser diferente. Em 2015 tive a ideia e comecei a estudar sobre esse nicho de mercado. Ainda no Brasil e pela minha experiência com direito empresarial, comecei a verificar todos os procedimentos necessários para abrir empresa no Canadá e no Brasil. Com o auxílio da minha advogada-mentora e do marido viciado em planejamento, criamos uma estratégia societária, começamos a trabalhar no plano de negócio e imediatamente comecei a me envolver com todo esse universo. Na mesma época, procurei um contador em Vancouver que pudesse esclarecer minhas dúvidas sobre a estrutura da empresa aqui no Canadá e aos poucos a menina dos meus olhos ia tomando forma, mesmo que apenas na minha cabeça maluca.

Me lembro que nesse período eu tentava contatar o máximo de pessoas possível que tivessem conhecimento sobre o assunto ou que pudessem compartilhar impressões sobre esse mercado aqui. Muitas dessas pessoas me achavam completamente doida, até porque eu não estava no Canadá ainda e mal sabia como é que a banda tocava por aqui. Eu sequer falava inglês!!! Como assim querer abrir uma empresa??? Tá maluca???

Pensando bem, talvez eu realmente estivesse meio pirada, mas agora: Chupa Mundo pra vocês hahahahahah

2 – Ter experiência no que se faz é sempre o melhor caminho e não se espelhar ou se associar às pessoas erradas também.

Assim que cheguei no Canadá, guardei o plano de abrir a empresa pra mim e comecei a correr atrás dos outros objetivos que tínhamos. Por ironia do destino, consegui um emprego na área de vistos e imigração e assim comecei a ganhar experiência numa área que requeria que o plano de estudos dos aplicantes fosse muito bem estruturado e isso fez com que eu adquirisse uma bagagem incrível para cumprir meu objetivo principal. Ao longo de 1 ano trabalhando nessa área, foram quase 200 processos de vistos realizados e entre negativas e aprovações eu fui compreendendo o que era bom, o que era razoável e o que era péssimo para um plano de estudos culminado com o desejo de imigrar daquelas pessoas. Durante essa experiência, eu também me descobri como profissional e rapidamente soube que eu não servia para iludir ou vender sonhos pra ninguém, o que fez com que eu me apaixonasse ainda mais pela parte de consultoria e planejamento. Afinal de contas, eu estava cansada de receber clientes com planos de estudos caríssimos e totalmente falhos.

Para mim, era muito nítido que muitas agências estavam mais preocupadas em vender um curso pra pessoa do que realmente auxiliá-la a alcançar seus objetivos profissionais e pessoais. Outras, eram adeptas da cultura do: Somos pagos para aplicar vistos e não para obter aprovações. Um episódio que me marcou muito aconteceu quando, ao contatar uma pessoa da área de imigração para conversar sobre o visto de um aluno que havia sido negado, tive que ouvir a pérola de que visto negado, do ponto de vista do business (essas foram exatamente as palavras), era algo positivo pra empresa, porque assim eles faturariam duas vezes pelo mesmo serviço.

Assim, vi dezenas de pessoas terem seus planos de imigração frustrados pela falta de informação, orientação e até pelo mau caratismo de algumas pessoas. Portanto, decidi que era hora de colocar toda a minha energia na realização do meu plano e aquela veia empreendedora que antes pulsava em mim, parecia que estava à ponto de explodir a qualquer momento.

No mais, se minha avó cearense, arretada e bocuda conhecesse meus haters, provavelmente ela diria à eles que estou certíssima em ter feito as escolhas que fiz pois quem aos porcos se une, farelo comerá. E tenho dito!

3 – Organização, energia para dedicar ao trabalho e não se apegar às dificuldades

Por último, mas não menos importante, acredito que todo o caminho que temos percorrido com a empresa aqui no Canadá se deve, principalmente, à nossa organização, planejamento, calma e seriedade no desenvolvimento do projeto, além do meu amor pelo ato de trabalhar (já que workaholic possui cunho pejorativo rs). Ao longo desses dois anos, tivemos que estudar muito sobre contabilidade, leis, sistemas e mercado em diferentes países para conseguir atender nossos clientes da maneira que fazemos hoje. Incontáveis foram os dias em que eu cheguei a bater 15 horas de trabalho, principalmente aos finais de semana e feriados, sem contar todas as dificuldades que encontramos ao explorar o desconhecido.

De longe chegamos onde planejávamos chegar. Fomos além. Muito além do que um dia eu imaginei fazer e tudo o que passamos para chegar até aqui tem servido de trampolim para que eu tenha ainda mais força e coragem para continuar desbravando este universo que tanto me encanta. No final do dia, encontrei um trabalho onde consigo aproveitar meu olhar crítico de advogada, minha habilidade em administrar planos à curto, médio e longo prazo e a paixão da minha vida que é viajar. A cada novo aluno que eu levo pra conhecer o mundo através do estudo, é como se uma parte de mim estivesse junto dele vivendo todas as emoções que só uma experiência de mudança de país consegue causar na gente. Vibro com as conquistas deles, com a melhora da proficiência no idioma local e rimos juntos das presepadas que acontecem na nova cidade. Me sinto realizada quando vejo que boa parte dos meus clientes se tornam nossos amigos e em como posso fazer a diferença na vida de alguém. Sem sombra nenhuma de dúvidas, este é o trabalho mais incrível que eu já tive na vida e sou grata ao Canadá por todas as oportunidades que tenho aqui.

 

Na próxima semana, contarei sobre os procedimentos que fizemos para começar a operar a empresa aqui em Vancouver. Fiquem ligados!

 

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