Planejamento Financeiro: Nossa história

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No post de hoje tentarei explicar um pouco mais sobre como nos planejamos financeiramente para realizar o nosso plano de morar no Canadá. Vale lembrar que somos um casal sem filhos, sem animal de estimação e que já mora em Vancouver (a cidade mais cara do Canadá) há pouco mais de 2 anos. A intenção é trazer pra vocês um pouco mais da realidade da vida de quem vem pra cá fazendo um college e com um planejamento para se tornar residente permanente num prazo de 2 à 3 anos.

Antes de virmos para o Canadá, nos matamos de trabalhar esforçamos muito para juntar todos os centavos que ganhávamos em nossos empregos no Brasil. Não contamos com a ajuda financeira de absolutamente NINGUÉM e tudo o que conquistamos foi através de muito esforço, planejamento e disciplina. A nossa primeira atitude, depois que voltamos da nossa viagem exploratória, foi demitir a empregada doméstica. Nós sabíamos que economizaríamos muito dinheiro já de cara e também estaríamos nos treinando para a vida que teríamos aqui. Assim, começamos a ter uma rotina de 10 à 12 horas de trabalho por dia somada aos afazeres domésticos. Foi tenso, mas sobrevivemos e quando chegamos no Canadá, aquilo já não era nenhum big deal pra nós (exceto pela louça que ainda me irrita profundamente).

Me lembro ainda, que nos 6 meses que antecediam a viagem, tomamos uma atitude drástica: alugamos nossa casa para não termos mais a despesa da prestação, vendemos um dos carros e fomos de mala e cuia para a casa da minha sogra, onde alugamos um quarto para ficarmos por cerca de 6 meses. O dinheiro que tínhamos depois de 9 meses de muito sacríficio, já era suficiente para comprovarmos todo o valor exigido pelo governo e o valor do college do meu marido que, por NÃO SER UM COLLEGE PÚBLICO, custava cerca de CAD$ 14.000 para os dois anos do programa. A nossa meta, era trazer dinheiro suficiente para pagar 2 faculdades (uma particular e outra pública), os meus 6 meses de curso de inglês e ainda passar 2 anos sem trabalhar. Tínhamos muito medo de não conseguir emprego aqui no Canadá, então queríamos ter a segurança de que se tudo desse errado, teríamos investido em nossa educação e voltaríamos, os dois, para o Brasil, com um diploma internacional e o inglês fluente.

Mesmo diante de todo esse planejamento, com uma planilha gigantesca à tira colo, muita garra e força de vontade pra juntar todo aquele dinheiro, não queríamos vender tudo antes de termos nossos vistos aprovados. Então, aplicamos o visto com o que já tínhamos e quando recebemos a aprovação do governo, começamos a vender nossos móveis, vendemos o segundo carro que havia sobrado e eu comecei a trabalhar insanamente em 3 escritórios diferentes para juntar ainda mais dinheiro para o nosso projeto. O maridón recebeu uma boa rescisão do emprego dele, juntamos todos os nossos centavos e deixamos a casa nas mãos de Deus (leia-se: alugada para um padre. Amém. Deus é justo!). Me lembro que, uma semana antes de viajarmos, eu estava virando a noite em uma operação societária de um grupo empresarial enorme e estava dormindo cerca de 3 horas por dia apenas. Sente esse drama. Tá bom pra você?

Advogados societários: de onde eles vêm? quando dormem? o que eles comem? Hoje…aqui no Canadá Passo a Passo

Eu estava num ritmo aceleradíssimo! No escritório me chamavam de Dani Furacão. Era fogo nos olhos cambada. Não tinha choro, não tinha vela, não tinha tempo ruim, não tinha reclamação. Eu estava ciente de que estava fazendo tudo aquilo por um sonho. Era o MEU sonho, então a responsável por ele era eu. Juro pra vocês que vendi até os utensílios de cozinha. Vendi tudo! Só não vendi minha mãe porque ela é muito fofinha comigo e me ama demais, caso contrário teria colocado no pacote também ahahahauhaa.

Por isso amiguinhos (e eu estou falando com quem me conhece mesmo mas adora dar um pitaco sem ser chamado na conversa), antes de me criticar porque aprecio um vinho bom, gasto meu dinheiro viajando e tenho queda por um restaurante caro, lembre-se que: enquanto você vê netflix, eu normalmente estou trabalhando; enquanto você dorme até meio dia no final de semana, eu ainda estou trabalhando. Portanto, reclame menos e faça mais.

Se tem algo que a minha vida dura lá no Grajauex me ensinou meus queridos, é que nada cai do céu pra quem nasceu pobre. Eu trabalho MUITO desde os 12 anos de idade. Sempre paguei minhas contas, sempre fui atrás do que eu queria, sempre BATALHEI demais pra conseguir atingir meus objetivos. Por isso, dou muito valor à tudo o que construi e também não tenho pena de gente mimadinha, filhinha de papai que só sabe reclamar da vida e, como diz uma das minhas assistentes: veio ao mundo pra fazer peso na terra.

Eu já fui cabeleireira, já dei aula de reforço, já trabalhei nos comércios da minha família para ajudar meus pais, já fiz doces e salgados e botei minha prima e minha irmã pra vender de porta em porta (essa foi minha primeira empresinha e eu só tinha 13 anos kkkkkk). Aos 15 eu já trabalhava no departamento jurídico de uma multinacional e tinha responsabilidades gigantescas, mas nunca parei pra reclamar que aquilo era demais pra mim. Eu já trabalhei das 6h às 18 enquanto estudava das 19h às 23h e ainda demorava cerca de 2h pra ir e 2h pra voltar porque morava lá no C%#^ de São Paulo, pra conseguir pagar a minha faculdade. Naquela época eu praticamente dormia no ônibus e minha vida foi essa por pelo menos 1 ano.

Eu ralei demais na vida e ainda ralo! Isso não acabou porque eu vim morar no Canadá.

O fato é que não me faço de vítima. Não fico choramingando pitanga em canal de youtube ou grupinho de facebook dizendo que não posso ou não consigo fazer as coisas, ou dizendo que o Canadá é injusto comigo e blá blá blá.

Olhe ao seu redor agora. O seu intercâmbio pode estar na sua garagem, pode estar nos restaurantes caros que você vai (sei que é bom, mas na época de planejamento, todo centavo conta!), pode estar nas idas ao salão de cabeleireiro, pode estar no salário da diarista. Se você realmente deseja embarcar numa viagem como essa, é hora de começar a viver o seu sonho. Viva o Canadá como se estivesse aqui. Comece cortando todos os gastos possíveis, leia muito, estude muito sobre o país para que você consiga manter a chama acesa enquanto passa por essa fase de sacríficios.

Esse blog era o meu refúgio para me manter ligada ao meu sonho canadense e não tenho medo nenhum de afirmar que ABSOLUTAMENTE tudo o que eu fiz, valeu muito à pena. Eu poderia estar roubando, poderia estar matando, mas eu só estava trabalhando muito e economizando ao máximo por um sonho no qual eu acreditava. Eu não sou melhor do que você, não nasci rica e não tenho nada além do que o que você também tem. Encontre o leão que vive em você e LUTE pelos seus sonhos. O resto, é consequência.

Quando quiserem entender como os vencedores venceram suas batalhas, procurem conhecer a história deles e você terá alguém em quem se inspirar.

Bjos de luz amiguinhos

 

 

 

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